terça-feira, 29 de junho de 2010

Insônia


Era primeiro de janeiro quando um casal de desconhecidos acordou cedo e pegou a estrada. Ela, desconfiada, havia dormido com a roupa da noite anterior. No caminho, os dois conversavam sem parar. Talvez para se conhecerem ou para não imperar o silêncio. Ao chegarem a seu destino, apenas um quarto e uma cama de casal para os dois. Como entender que aquele casal de desconhecidos não era um casal de namorados? O dia foi passando e os dois iam se conhecendo, se tornando talvez um casal de amigos. A noite chegou e foram dormir. Ela entrou no quarto com uma camisola que mesmo que ele quisesse, não teria como não notar. Apagaram as luzes, mas não conseguiam pegar no sono. Para quebrar a tensão ficaram ouvindo músicas que marcariam aquele momento. Quanto mais a noite passava, mais o clima ficava tenso. Conversavam sobre tudo. Ela não parava quieta. Quando virava de costas, ele chegava bem pertinho e cheirava os seus cabelos. A vontade de beijar aquela mulher aumentava e com isso também aumentava o seu nervosismo. Foi quando ela dormiu, para o seu alívio. Acabou ficando o resto da noite em claro. Ao amanhecer, arrumaram as coisas e partiram. Almoçaram juntos e foi chegando a hora de se separarem. Pegaram o mesmo ônibus e quanto mais perto do ponto dele, mais ele se angustiava. Ao descer, sentiu-se vazio. Aquele ônibus levava embora uma parte dele. Seu coração ficou apertado de uma forma completamente inesperada. A amava sem nem mesmo conhecê-la. E a partir daquele instante, seus dias seriam de espera. Se a veria novamente, não sabia. Mas ficaria para sempre com aquela noite de insônia guardada em suas lembranças.

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