segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
A rua de calçada vermelha
Começou a sentir uma forte dor no peito e uma sensação de desmaio. Ela havia saído para fazer compras ele ficou sozinho no quarto do hotel. Com medo, vestiu-se e saiu à procura de um hospital. Não conhecia nada naquela cidade, mas resolveu arriscar. Havia bebido demais na noite anterior e naquela manhã não se alimentou. Já fora do hotel, a claridade do dia o incomodava. Entrou em uma rua estreita com uma calçada vermelha. Era um vermelho tão acentuado que o fez viajar. Aquela cor forte lhe remetia a uma outra rua como aquela, onde ele esteve quando criança. Um lugar tranquilo, com árvores e calçadas de cerâmica vermelha. Lembrou de ter corrido por aquela rua, lembrou das amendoeiras e do cheiro das amêndoas maduras, lembrou do velho sentado na porta de casa fumando charuto, lembrou dos gritos das outras crianças, das flores mal-me-quer e bem-me-quer e dos chamados da sua avó. A dor aumentou e ele caiu de costas para o chão. A luz do sol o cegava. Não houve tempo para ser socorrido. Respirou pela última vez deitado na calçada vermelha.
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Nada mais intenso do que as lembranças de momentos importantes nas nossas vidas!!!!
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