
Salvador, 27 de setembro de 2126
Senhor Homem,
Há séculos vivemos juntos, mas nunca senti tanta necessidade de escrever-lhe uma carta como agora. Ao longo de todos esses anos sempre lhe forneci o necessário para viver. Lhe dei água para beber, terra para plantar, matéria prima para o seu progresso, mas em troca, o que você me deu? Tenho sido vítima da sua ambição e dos seus destratos por todo esse tempo. Tentei avisar da única forma que podia. Enviei-lhe enchentes, terremotos, furacões, mas nada lhe deteve. Você estava cego. Cego pela sua cobiça. Cego pela sua mania de querer mais e sempre mais, custasse o que custasse. Você promoveu guerras em nome do progresso. Agrediu-me mais de uma vez com bombas atômicas e biológicas. Destruiu as florestas, poluiu o ar que você mesmo respira, dizimou espécies inteiras e até a água, indispensável para a sua sobrevivência, você poluiu. Eu avisei! Fiz tudo o que era possível, mas você homem, você não ouviu. Ou se ouviu, não deu importância. Agora não posso mais. Estou esgotada. Todos os meus recursos se acabaram. Você vai ter que aprender a se virar sozinho. Infelizmente você só soube tratar com desprezo quem sempre lhe tratou com amor. E agora só posso desejar-lhe sorte. Do fundo do meu coração.
Planeta Terra
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